Tenho tido a sensação de que já fui mais feliz, mais leve, mais, mais, mais…
Em pouco mais de um ano, sinto que perdi vitalidade, viço. É custoso continuar. Custa-me gotas de sangue…
Mas também sinto que posso transformar toda a dor, o desencanto, o desalento em algo maior, que honre a mim mesma. Afinal, não foi para “morrer na praia” que nadei tantos mares e oceanos da minha vida. Talvez este seja o milagre: chegar à praia e andar, cansada, mas buscar uma rede; sedenta, mas beber a água viva da esperança; com frio, mas acender o fogo do amor no meu peito. Este é o milagre que espero merecer: QUERER minha vida de volta. Ela terá mais valor, porque conheceu muitas dores e não sucumbiu. Estou pronta, à espera de um milagre!
***Escrevendo a última linha, entra um passarinho aqui, pertinho de mim, tão perto que senti o vento do bater de suas asas. Entrou pela porta e saiu, num voo rápido. Acho que veio me dizer que os milagres acontecem.