Minha neta de doze anos me perguntou qual era o nome da minha geração, coisa que achei inusitado. Não soube responder, então fui buscar respostas.
Pesquisei sobre as gerações no Brasil e descobri que somos considerados a Geração X, aquela que os sociólogos não souberam nomear e, como em matemática o X é uma incógnita, nos deram este nome. Somos os nascidos entre 1965 a 1980. Especialmente nós, nascidos neste período, somos os sessentões. Nada de tiozão, coroa ou “véio”, nada disso, porque ainda temos muita estrada pra andar, temos gás para isso. Somos “raçudos”, essa é a grande verdade! Somos a grande ponte entre um Brasil praticamente rural e o Brasil urbano, contemporâneo. E neste espaço de tempo, vivemos o medo real da Terceira Guerra Mundial, a queda do Muro de Berlim, a alegria de brincar na rua até a hora de voltar pra casa (suados e ralados), o medo do Merthiolate, a transição da TV preto e branco e a TV a cores, do telefone com fio e do celular, do mundo analógico para o mundo digital, das discotecas, da produção sensacional da música mundial, com letras inteligentes e cheias de filosofias. Conhecemos o disco de vinil, a fita cassete, os programas de TV e o cinema. Esperávamos por dias uma carta de amor ou de amizade, postadas nos correios. Nada era rápido, tudo tínhamos de esperar, o tempo vivia entre nós e o que queríamos . Vivemos a descoberta do sexo, aquela coisa de experimentar mais, e ao mesmo tempo segurar a onda para não cair na língua afiada do povo da rua… Por falar em rua, como elas eram movimentadas, com nossas brincadeiras e nossos pais, vizinhos e família sentados na calçada, onde sempre tinha um banquinho. Estávamos sempre no meio de gente, no contato direto com gente, pele com pele e, por isso, acho que somos a geração mais empática, mais sensível, mais criativa e trabalhadora que já existiu. A sensação que tínhamos é que nosso dia tinha mais horas, a ponto de ficarmos entediados e é exatamente isso, um pouco desse ócio e frustração, que nos ensinou a sermos mais criativos. Frustrados, este foi o sentimento que moldou nosso ser. Na medida certa, ele nos põe para buscar saídas. Não nos adoece, pelo contrário, é muito saudável.
Tenho certeza que disse coisas aqui que muitos se identificaram, porque somos a mesma gente. Cada um viveu até agora de um jeito, com sucesso em muitas coisas e derrotas em vários momentos, mas estamos aqui, com disposição para vencer a nós mesmos a cada dia. Menos competição entre nós. Mais responsabilidade e exigência com nós mesmos. Este é o retrato do povo que deixa um bonito legado para seus sucessores.