Os meses de junho e julho pintam o poente de vermelho, a mata de alaranjado dos cipós-de-Sao João, e as manhãs de gris, descendo do céu uma cortina fria e úmida de neblina. Catarina acorda às cinco horas da manhã, faz o café, veste sua roupa impermeável com capuz e pega a estrada a pé, rumo à escola do povoado a umas cinco léguas da fazenda. Depois das aulas, ao meio-dia, retorna a sua casa, perfumada pelos manacás que a guarnecem. A fumaça sai da chaminé e ela pode adivinhar o cardápio do almoço. Não se casou, cuida dos pais e de dois irmãos solteirões. À tarde, sobe na goiabeira para ver o sol se pôr. À noitinha, vai à varanda contar as estrelas, tantas que dariam para encher infinitos cestos! E ao se deitar, não sonha com príncipes coisa e tal, mas com a saparia no brejo coaxando em vários tons. Uma vida de serviço, mas que a desafia a continuar quantas luas forem necessárias. Catarina não conhece a palavra medo. Nem a palavra solidão.