Lonjuras…
A saudade rói meu peito!
Entrou sorrateira por um buraquinho da porta.
Buscou lembranças de longe…
De tempos que nem me lembrava ter vivido.
Açoitou-me, fui à lona,
E implorei misericórdia.
Muitas vezes olhei para o céu,
E fiz prece para Deus benzer-me,
Pois tive medo de sobrar só pedacinhos do coração.
De modo ser impossível fazer um mosaico…
É que vi mamãe no alto do morro,
Lá na Fazenda Marcela,
Com uma mão na cintura e outra fazendo tenda para os olhos,
A fim de ver onde papai estava.
Chamava por ele,
Ansiosa,
Pois só sossegava quando ele estava por perto.
Aiai, lembrança doída,
Mas tão linda e perfumada,
Pois ensina que amar
É cuidado
É presença
E é legado.