Fiquei de mal de mim. Sou dura comigo. Sei que não sou perfeita, mas não me perdoo facilmente quando erro. Sou condenada, encarcerada na mais solitária cela. Na solidão, percebi que não sou tão dura com o outro que erra comigo. Sou mais flexível, mais empática, procuro enxergar o problema do ponto de vista do outro. Não raro, consolo-o, ternamente. Mas se a bronca é comigo, aiai, coitada! Passei o dia brava, dormi pouco a noite. Remoendo aquilo, repisando, judiando de mim. Só depois de dois dias pude me abraçar, assim mesmo, passando os braços, cruzando-os no peito. Senti compaixão nesse abraço, senti que poderia fazer as pazes comigo. Pensei: depende do seu querer. Os machucados ainda doem, mas irão sarar um dia desses… Juntei o que sobrara de dignidade, abri a cela e caminhei para fora da prisão. Pobre tirana de mim mesma.