Naquele tempo de sonhos, Clara e Sônia se aprontavam para saírem a passear pela pequena Lua Nova, uma cidadezinha de Minas Gerais. A cidade tinha uma única rua, da igreja até a entrada do povoado. O povo a chamava Rua Comprida. Os moços ficavam conversando nas portas dos bares, vendas, mercadinhos. E as moças andavam para cá e para lá, como se desfilassem. As duas irmãs tinham muito assunto entre si, mas conversavam baixinho e não riam quando passavam pelos moços. Quando se tratava de um primo ou irmão, cumprimentavam com um gesto, sem escândalo. Eram moças educadas e casadoiras. De vez em quando, um moço se apresentava à família pedindo Clara ou Sônia em namoro. Seu Juca consentia ou não, dependendo da família ou das intenções do moço, que adivinhava. O namoro era na sala principal da casa, vigiado pela mãe ou irmãos mais velhos. E se encostavam um dedo na moça, já era denunciado e o pai da moça despachava o ousado. Um dia, algum sortudo levaria embora Clara. E outro levaria Sônia. Neste dia, o que era comum casamentos comunitários, teria festa, com churrasco, carne de porco, arroz com tutu e macarronada. Algum parente traria o violão e cantaria para o povo. E elas inaugurariam suas próprias famílias.