Gabriela estava naquela fase da vida, tal qual as árvores no outono: deixando ir quem não quer ficar; economizando energia; consciente do ciclo vital.
Gabriela já tinha se aposentado, os filhos já estavam crescidos e cuidando de si, ela já não era mais filha dos seus pais, mas mãe deles. O tempo já tinha mudado a cor de seus cabelos e feito muitas assinaturas na sua pele. Perdas importantes, de pessoas amadas que se encantaram, ocupavam um espaço enorme no seu coração. Entretanto, seguia com passos firmes porque a vida é mesmo assim: nadar contra a maré é morrer de cansaço. Muitas ilusões foram substituídas pela realidade e o sorriso, antes fácil, agora era mais raro nela.
Até que um dia, numa curva da vida, encontrou seu amor. Tudo se coloriu e ela não sentia vergonha de amar de novo, no entardecer de sua vida. Ela se sentiu digna daquele amor, porque pensou que merecia. Júlio correspondia. Resolveram se dar outra chance. Passado o outono, o inverno seria quentinho por causa do calor desse amor maduro.