Benedito chegou na hora marcada. Apeou do cavalo, que ficou pastando de frente à casa do primo José Arimatéia. Com o vozeirão chamou à porta, fechada a essa hora, na boca da noite: - Ô de casa! Esperou até que Geralda, a empregada da família, lhe abrisse a porta. Entrou, sentou- se no sofá da sala e ficou a observar os quadros na parede, a estante de livros, e o chapeleiro. Estava com seu chapéu nas mãos, rodando-o, como a fazer o tempo passar depressa. Um cheiro delicioso de comida vindo da cozinha fazia-o adivinhar: era pernil. O primo José Arimatéia assomou à porta. Cumprimentaram-se, dando tapas nas costas um do outro. Benedito iniciou a conversa. Veio pedir a mão de Terezinha em casamento. José Arimatéia pigarreou, acendeu o charuto e respondeu que teriam que fazer um ajuste no pedido. Luzia era mais velha que Terezinha e precisava casar-se primeiro. Na porta do quarto das meninas, sete ouvidos estavam de pé para tentarem escutar o falatório dos homens. Mas nem Luzia, nem Terezinha achavam graça no primo. Enquanto Jandira, de apenas treze anos, sentia um comichão toda vez que ouvia a voz de Benedito. Entre pulos silenciosos, beliscões, caretas e risadas contidas, as moças se deliciavam com a novidade. O primo era um homem interessante, não era feio nem preguiçoso e ainda tinha uns cobres no bolso. Andava sempre bem arrumado e seus cavalos eram escovados e de boas montarias. Mas ele queria mesmo era Terezinha… Tentou dissuadir o primo, mas este aumentou o dote de Luzia. Neste ponto da conversa, uma das moças que subira numas caixas de sapatos e chapéus para espiar num buraquinho da porta se desequilibrou e caiu, fazendo um barulho enorme, acompanhado de choradeira e mil “ais” das irmãs. O desfecho da conversa teria que aguardar, pois Cidinha quebrara a perna e seu pai saiu apressado para buscar o médico. Foi a mesma coisa de jogar água no fogo!
Tema: “tudo indica que…”