Há muitos anos aprendi a dizer-me: “um dia de cada vez”, diante de um “problemão” que chegou na minha casa, abalando todas as estruturas. E tenho vivido, apesar dele. Muitas vezes sinto-me uma sobrevivente. Noutras, penso que sou um camaleão, capaz de se reinventar para ser mais do que uma sobrevivente, mas alguém cheia de recursos extraordinários. Mas ainda assim, preciso aprender a ter calma, perder o sentimento de urgência das coisas, andar devagar, sorvendo a vida em pequenos goles. Como dizia mamãe quando eu a conduzia pela estrada: “devagar também é pressa”, um bom conselho para não pisar no acelerador e chegar no destino em segurança. Desacelerar, trabalhar menos, fazer coisas que me dão prazer, procurar a companhia das pessoas que amo, ficar de pernas pro ar, deitar no colo da terra sob a copa de uma árvore e ter um teto de folhas, de céu e de sol… como isso me acalma e me leva ao centro de mim mesma! Ah, disso sim, pode-se ter urgência!