De repente, meu mundo perdeu toda a inocência.
A vida despiu-se da ilusão…
Você foi-se embora como um barquinho,
A abandonar-se no mar calmo,
Até a linha do horizonte
Tirá-lo de mim…
Fiquei na praia balançando o alvo lenço
E o mar recebeu de mim copiosas lágrimas,
Pedacinhos de sal cintilando nas ondinhas,
Pranto magoado…
Você viu além do horizonte,
Mas a mim, na praia, já era invisível para você.
O sol, bem que tentava
Dourar e brilhar
Os dias seguintes.
Tentava dizer-me
Que tudo estava bem.
Mas eu, perdidamente, continuava pregada
Na praia, a esperar pelo barquinho
Que sabia nunca mais voltar.
Cassiå Cāryn̈e