“Creio que os beijos são dados na boca, porque é de onde brotam as palavras…”
Então, fiquei pensando:
Beijo cada palavra bendita que sai de tua boca. Beijo, com volúpia, as palavras que se misturam aos lençóis amassados. Beijo, com gratidão, as palavras aladas que sobem aos céus em oração. Beijo, com escárnio, as palavras traiçoeiras que escaparam, sem que eu as quisesse, de verdade, proferir, mas beijo, para prendê-las no castigo. Beijo, com correção, as palavras cruéis ditas em desatino, aquelas que se apartaram de ti e de mim. Beijo, cheia da mais profunda caridade, as palavras desastrosas que fugiram de ti, como quem cura o doente. Beijo a tua boca, porque é mina cristalina de toda palavra que sacia a sede de amor. A palavra é a ponte entre mim e ti. É a escada para o céu, entre mim e Deus. É o território da sanidade, a cura para todos os males da alma. Eu a quero em mim e em ti, para todo o sem fim do existir.