Tema: Que fim levou?
Suzan acordou no meio da noite. A angústia a acordou, sem piedade. Uma noite trevosa. Pensamentos maldosos a fustigavam. As decisões que tomara por último na sua vida estavam sendo questionadas pela noite agoniada. Questionava-se, como se estivesse no tribunal de sua consciência. Um grilo no jardim cricrilava baixinho, como a pedir-lhe calma. Mas Suzan era uma juíza feroz, de si mesma, impiedosa. Virava-se na cama, amassava seu travesseiro, amarrotava o cobre-leito branco de susto por vê-la assim, tão infeliz! Quando não podia mais ajudar a si mesma, lembrou-se que tinha um Pai e uma Mãe celestes. Rezou um Pai Nosso e uma Ave Maria e isso a fez dormir um pouco. Quando o dia amanheceu, ganhou de presente o canto do sabiá, que se empoleirou na figueira do jardim. Espreguiçou, suspirou e recebeu o presente do sabiá. Só depois lembrou-se da noite insone. Correu pra varanda e deitou-se na rede. O sol achou jeito de encontrar seu peito, como a lhe dizer: “estava o tempo todo com você, querida Suzan. A noite nada mais é do que a luz escondida.” Suzan perguntou-se que fim levou a preocupação noturna. Sumiu, com medo da luz!