Depois de muitos anos voltei à Guarapari, no Espírito Santo. Estava muito diferente daquela Guarapari que papai nos levava quando criança. Papai sempre gostou do mar… ele entrava e nadava, nadava bem, mas mamãe sempre ansiosa enquanto ele nadava, rezando para ele se cansar e sair do mar.
Mas antes disso, a viagem era uma odisséia. Cinco ou seis pessoas viajando amontoadas num fusca, sem cinto de segurança. A ida era cheia de risadas, contação de histórias, música e cantoria. Eu e Carla, minha irmã, éramos cúmplices em tudo que fazíamos e dávamos tanta risada, que irritava mamãe. Ela pedia: - Meninas, briguem um pouco, pelo amor de Deus!
Mas a volta era cheia de ais e uis por causa das queimaduras. E já ficávamos sonhando com as próximas férias, Deus lá sabia quando!
Obrigada, papai e mamãe, por nos darem aventuras tão fascinantes! Gente das montanhas que sou, fica feliz demais quando desce e se mistura ao mar.