Milagre
Cassia Caryne
Ô, seu moço, a cura de um desenganado por causa de uma doença é milagre.
E alguém que sobrevive com vida plena a um acidente de automóvel quase fatal, também.
O moço que se libertou do álcool ou das drogas, aquele que já estava no fundo do poço ou, ainda, o que já estava achando graça na descida, ah, seu moço, é um milagre e tanto!
Mas quando olho pra mim, e percebo tudo funcionando direitinho: coração, rins, fígado, pulmão, cérebro, ah, que máquina extraordinária, não posso deixar de admirar e dizer o tamanho do milagre.
Apreciar o sol se pôr, deixando um rastro de cores no poente, assinando no firmamento seu compromisso com a vida, eita milagre bonito!
Pensar na terra girando no seu próprio eixo, há milhares de anos e, ainda, ao redor do sol, sem nunca parar, outro milagre.
Olhar para uma barriga de grávida e pensar como Deus fez exuberante milagre na mãe e no seu filho, puxa vida, que maravilha!
E se visito o pomar, tem milagre nas árvores, frutificando, mesmo quando a chuva foi pouca.
Se vou ao campo na primeira chuva após a seca comprida e vejo o capim trocar a roupa amarela pela verde, um milagre que nos dá esperança de novo.
Pensar que o mar balança, mas não invade a terra… Que o rio, mesmo com as cabeças d’água, se desespera e não sai do leito, tudo isso é milagre.
Olhar nos olhos de uma tia quase centenária e enxergar brilho neles: que milagre lindo de se ver!
Sabe, seu moço, o quê mais vejo na vida é milagre. É a mesma coisa dizer: o quê mais vejo é a assinatura de Deus na vida da gente!